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14/08/2026
Oncologia do Hospital Santa Terezinha atende cerca de 1,3 mil pacientes por mês de 48 municípios
Com média de 40 tratamentos infusionais por dia, o serviço é referência regional; entre os pacientes está Maria do Nascimento, que celebrou o fim de uma etapa do tratamento tocando o Sino da Superação
Todos os meses, cerca de 1,3 mil pacientes passam pela Oncologia do Hospital Santa Terezinha para dar continuidade ao tratamento contra o câncer. O número reúne pacientes que realizam tratamentos infusionais, permanecendo no Hospital durante a administração da quimioterapia, e aqueles que fazem uso de medicamentos por via oral, retirados mensalmente no Hospital. Somente entre os tratamentos infusionais, são cerca de 40 atendimentos por dia.
A estrutura é referência para 48 municípios da região, abrangendo toda a Associação de Municípios do Alto Uruguai (AMAU) e outras cidades fora da região. A área de abrangência faz com que pacientes percorram longas distâncias para acessar o tratamento no Hospital, entre os municípios está Vicente Dutra, distante cerca de 189 quilômetros de Erechim.
Para o diretor executivo do Hospital Santa Terezinha, Rafael Ayub, os cerca de 1,3 mil pacientes atendidos por mês representam também 1,3 mil histórias de pessoas que encontram no Hospital uma estrutura preparada para acompanhá-las em um dos momentos mais delicados de suas vidas. “Atendemos pacientes de 48 municípios e sabemos da responsabilidade que isso representa para toda a região”, destaca.
Quando os números viram rostos
Nesta quarta-feira (12), Maria do Nascimento, de 59 anos, moradora de Benjamin Constant do Sul, viveu o momento simbólico de tocar o Sino da Superação. Um som que dura apenas alguns segundos marcou o encerramento de meses de incertezas, consultas, exames e tratamento. O gesto celebrou a conclusão de uma importante etapa do tratamento contra o câncer.
Há pouco mais de um ano, ela acordou sentindo uma forte dor de garganta. Procurou atendimento médico na cidade em que reside e iniciou o uso de medicamentos, mas o sintoma persistiu. Uma nova avaliação apontou um quadro infeccioso e, na tentativa de controlar o problema, foram necessários dez dias de antibiótico intravenoso. Mesmo assim, a dor não passava.
Foi então que um episódio mudou os rumos da investigação. Certa manhã, enquanto o marido estava trabalhando, Maria acordou com a boca cheia de sangue. Assustada com o sangramento intenso, chamou o esposo e voltou a procurar atendimento. A partir dali o caso passou a exigir uma investigação mais criteriosa.
Encaminhada para atendimento especializado em Erechim, Maria recebeu a indicação de uma cirurgia para retirada das amígdalas, que estavam bastante inflamadas. O material retirado na cirurgia foi encaminhado para biópsia e, nove dias depois, veio o diagnóstico de câncer na região do pescoço.
A partir da confirmação, começou uma nova etapa no tratamento: inicialmente, a previsão era de que Maria passasse por seis sessões de quimioterapia e, posteriormente, radioterapia. Ao longo do tratamento e diante da resposta apresentada nos exames, a conduta pôde ser revista pela equipe médica. “Quando a doutora me disse: ‘Dona Maria, amanhã a senhora faz a última quimioterapia’, eu chorei aqui no consultório. Saí com vontade de contar para todo mundo. Depois, fiquei umas duas semanas chorando todos os dias, mas não era de tristeza, era de alegria”, lembra.

Para Carolina Fusinato Molin, hematologista do Hospital, Maria apresentou uma resposta muito positiva ao tratamento, o que permitiu reavaliar a conduta inicialmente prevista e encerrar essa etapa após quatro ciclos de quimioterapia, com o quarto e último ciclo realizado no começo de junho. “É uma satisfação para toda a equipe acompanhar uma paciente desde o diagnóstico, passar junto com ela pelos desafios do tratamento e chegar a um momento como este, com bons resultados nos exames”, destaca.
Durante toda a caminhada, a fé ocupou um lugar central para Maria. Ela conta que foram muitas noites de oração nos períodos de maior dor e incerteza e atribui a Deus a força para enfrentar a doença. Ao mesmo tempo, faz questão de reconhecer o trabalho dos profissionais que estiveram ao seu lado. “Eu agradeço a Deus por tudo e agradeço à doutora também, porque ela foi um instrumento de Deus na minha vida”, afirma.
Agora, ao falar sobre o sentimento de chegar ao fim dessa etapa, Maria não tem dúvida: “Alegria. Não tem nem como explicar a minha alegria e a minha gratidão. Eu chorava de alegria porque venci. Só tenho gratidão”.
Um sino que carrega histórias
O Sino da Superação faz parte da rotina da Oncologia do Hospital Santa Terezinha desde 27 de novembro de 2019, quando foi doado pelo Clube do Comércio de Erechim em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Câncer. Instalado em um quadro com uma mensagem de esperança e incentivo, o sino foi pensado para marcar simbolicamente a conclusão de uma etapa do tratamento oncológico. Desde então, pacientes são convidados a tocá-lo ao encerrarem o tratamento, compartilhando a conquista com familiares, profissionais e outros pacientes.
Mais do que representar uma alta, seu som reconhece cada etapa vencida ao longo de uma trajetória marcada por desafios e simboliza recomeço, superação e esperança para quem ainda segue em tratamento.
Fotos: Georgia Spilka – Comunicação PME
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