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03/06/2026
Com cerca de 40 cirurgias já realizadas, mutirão ortopédico avança e devolve mobilidade e qualidade de vida a pacientes
Primeiro paciente operado aguardava desde abril de 2023, agora já estão sendo chamados pacientes na fila desde março de 2025
O Mutirão Regional de Cirurgias Ortopédicas, realizado na Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim, já alcançou a marca de 38 procedimentos realizados e representa um avanço importante na redução da fila de espera por cirurgias de prótese de joelho na região do Alto Uruguai. A iniciativa integra o programa SUS Gaúcho, do Governo do Estado, e é resultado de uma articulação conjunta entre a Prefeitura de Erechim, a Associação dos Municípios do Alto Uruguai (AMAU), o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (COSEMS/RS), a Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim (FHSTE) e a 11ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS).

Iniciado no começo de maio, o mutirão foi estruturado após a organização das filas e definição de critérios de prioridade, contemplando pacientes de Erechim e de outros municípios da região que aguardavam pelo procedimento. A previsão é realizar 135 cirurgias ao longo de três meses, com atendimentos concentrados preferencialmente em finais de semana e feriados, estratégia adotada para ampliar o acesso sem comprometer a rotina hospitalar.

Voltar a viver sem dor
Entre os pacientes beneficiados está Marina de Marchi, de 62 anos, que convivia com dores intensas e esperava cirurgia há 2 anos e meio, hoje tem esperança de voltar a caminhar sem sofrimento. Cuidadora da mãe acamada, ela sente falta da autonomia no dia a dia e sonha em voltar a sair de casa com mais facilidade. “Eu espero passar essa dor que eu tinha. Quero conseguir caminhar melhor, descer na cidade, fazer as coisas sem depender tanto”, relata.

Após quatro anos de espera, Luiza Ströher, de 70 anos, começa a perceber a melhora no pós-operatório e já projeta o retorno à rotina no campo e aos cuidados com a horta. Mãe de um filho cadeirante, ela conta que a casa já possuía acessibilidade, o que facilitou a recuperação. Apesar dos primeiros dias mais difíceis, marcados por dores e pelos efeitos da medicação, a expectativa agora é voltar gradualmente às atividades do dia a dia.

Amélio Smaniotto, de 82 anos, por sua vez, aguardava pelo procedimento há quatro anos e precisou enfrentar uma etapa extra antes da operação. Durante os exames, descobriu uma condição cardíaca que exigiu a implantação de um marca-passo. Após a recuperação, foi chamado e agora espera retomar as atividades simples da rotina. “Sinto falta de sair, jogar baralho e encontrar os amigos. Quero voltar a fazer isso”, conta.

Selma Relsner, de 73 anos, que aguardava pela cirurgia há cerca de um ano e meio, o período pós-cirúrgico tem sido mais tranquilo do que imaginava. Segundo ela, a dor antes do procedimento era tão intensa que a recuperação acabou sendo mais leve do que esperava. Agora, a expectativa é recuperar a mobilidade e voltar às atividades do dia a dia com mais conforto.
Enquanto alguns pacientes já passaram pelo procedimento, outros ainda aguardam a tão esperada cirurgia. É o caso de Cirlei Szady, de 71 anos, que compareceu à consulta para encaminhamento e aguarda há cerca de dois anos pelo procedimento. Após quatro décadas de trabalho na colônia, ela atribui o desgaste físico ao esforço contínuo e relata dores intensas que impactam diretamente sua rotina.

Impacto além da cirurgia
Conforme explica o médico ortopedista Felipe Paiva, responsável pelos procedimentos, o impacto da cirurgia vai muito além da questão clínica. “Esses pacientes deixam de trabalhar, de visitar familiares e até de realizar atividades básicas do dia a dia. Então, esse projeto tem um impacto social muito importante. Com a prótese, conseguimos devolver qualidade de vida. Não é um joelho novo, mas é a possibilidade de uma rotina com menos dor e mais independência”, destaca.
O prefeito de Erechim, Paulo Polis, ressalta que o projeto demonstra o compromisso da gestão municipal com a redução das filas e o cuidado com a população. “Sabemos o quanto essas cirurgias impactam diretamente na vida das pessoas. Muitos pacientes aguardavam há anos por esse momento, convivendo com dor e limitações severas. O critério adotado é o tempo de espera, e isso mostra a dimensão da demanda reprimida: no início do mutirão, os pacientes chamados aguardavam desde abril de 2023. Agora, já estamos atendendo pessoas que entraram na fila em março de 2025. Esse é um investimento que transforma vidas, devolve independência e reafirma nosso compromisso em oferecer uma saúde pública mais resolutiva e humanizada”, destaca.
O secretário de Saúde de Erechim, Vianei Mueller, reforça que a iniciativa é resultado de um esforço conjunto para qualificar o acesso aos procedimentos especializados. “A redução da fila de espera para cirurgias ortopédicas é uma prioridade, porque sabemos o impacto que essas limitações têm na vida dos pacientes e das famílias. Esse projeto garante mais acesso, mais agilidade e, principalmente, mais qualidade de vida para quem aguardava por essa oportunidade”, pontua.
O diretor executivo do Hospital Santa Terezinha, Rafael Ayub, destaca que a iniciativa representa um avanço importante para o fortalecimento da assistência especializada no município. “Esse projeto simboliza muito mais do que a realização de cirurgias. Estamos falando de devolver mobilidade, autonomia e dignidade para pessoas que conviviam há anos com limitações importantes. O Hospital Santa Terezinha tem um compromisso permanente com a ampliação do acesso e com uma assistência cada vez mais qualificada à nossa população”, afirma.
Mais do que reduzir filas, o projeto representa um investimento direto na qualidade de vida da população erechinense. Ao ampliar o acesso a cirurgias de alta complexidade, a iniciativa fortalece a rede pública de saúde e devolve mobilidade, autonomia e bem-estar aos pacientes.
Fotos: Georgia Spilka - Comunicação PME
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