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15/01/2009
Safra da uva abre com degustação de produtos coloniais
Safra da uva abre com degustação de produtos coloniais
Autoridades prestigiaram o evento na propriedade de Guerino Dariva, na Linha São Brás
A tarde desta quarta-feira, dia 14, foi especial para os produtores de uva de Erechim. Isso porque, diversas autoridades se fizeram presentes na abertura da safra, programação integrante da 8ª edição da Festa di Bacco. A propriedade de Guerino Dariva, na Linha São Brás foi escolhida para dar início a colheita, e com danças do Grupo Avanti e degustação de produtos típicos italianos, os promotores do evento, Prefeitura Municipal de Erechim, Sutraf-AU, Comissão da Uva, Emater-RS/Ascar e os Grupos Avanti, do Gillé e Stela Alpina recepcionaram os convidados.
Estiveram presentes: Coordenador da 15ª CRE, Gladstone Dassoler; Coordenador Regional do Sutraf - AltoUruguai, Ari Pertussati; Coordenador Geral da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e futuro secretário municipal da Agricultura e na oportunidade representando o Poder Executivo de Erechim, Eloir Griseli; Presidente do Poder Legislativo, Cezar Caldart; secretário municipal de Cultura, Esporte e Turismo, Edgar Paulo Marmentini; secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walmir Badalotti; secretário municipal de Coordenação e Planejamento, Moacir Tormen; secretário municipal de Meio Ambiente, Francisco Pinto; futuro secretário municipal de Segurança Pública, Décio Vicelli; coordenador do Sindicato Unificado dos Trabalhadores da Agricultural Familiar – Alto Uruguai sede de Erechim e vereador, Lucas Farina; vereadores Jaime Basso e Sérgio Alves Bento. Prestigiaram o evento também, Marino Slongo, presidente da Comissão da Uva; Walmor Gasparin, representando a Emater Municipal; Charles Oldoni, representando os Grupos Italianos Avanti, do Gillé e Stela Alpina; Dirceu Rampi, presidente da Comunidade São Brás; Altair Bordignon, representante do grupo dos trilheiros; Dilei Anzolin, vice-presidente da Cotrel; Ademir Lira, vice-prefeito de Paulo Bento; Romaldo Rosso, gerente do Banco do Brasil; Mauricio Viccini, representando o Deus Bacco da Festa da Uva de Erechim; Alan Comin, Chefe de Gabinete da futura Secretaria Municipal de Agricultura; Adelino Collet, coordenador da Agência de Desenvolvimento; Gervásio Plucinski, presidente da Agricoop; Carlos Copperccini, presidente da Cresol; Ivo Bonfante, coordenador da Cooperativa Nossa Terra; a corte da Festa di Bacco, Rainha Vivian Zanella, e as Princesas Elisandra Szady e Amanda Andreola.
Conhecimento transmitido de pai para filho
Guerino Dariva, 54 anos, adquiriu experiência no cultivo da uva com o seu pai que comprou as terras onde hoje ele reside por volta do ano de 1943. O proprietário anterior já cultivava a parreira e seu pai deu seguimento. Estima-se que a área de parreira tenha mais de 80 anos e continua produzindo até hoje. A casa de Guerino era o posto de recebimento de uva da região. Ali os produtores entregavam a fruta que era esmagada e o líquido era enviado para Erechim para a produção do vinho. Com os anos o processo foi se extinguindo. Hoje, a família, que tem três hectares de parreira, cultiva a uva para comercializar ou para fazer vinho para o próprio consumo.
Conforme Dariva, "a atividade é lucrativa e eu me orgulho de ser um integrante da Festa Di Bacco". Joel, 22 anos, filho de Guerino dá continuidade ao cultivo que começou com seu avô. "Trabalhamos com três atividades, a produção de grãos, de aves e a uva. A principal delas é a uva, que representa 50% da nossa renda hoje". São três variedades: Isabel, Niágara Branca e outra, cultivada em uma unidade experimental de parreiras que vieram da itália, num projeto realizado em parceria com a Emater, URI-Campus de Erechim e Governo Municipal. "Isso mostra que se está desenvolvendo a vitivinicultura na região. Não paramos no tempo, estamos buscando qualidade e estudo fora de Erechim para podermos oferecer produtos competitivos no mercado", sublinha Joel, destacando ainda a dificuldade de produzir uva, especialmente neste ano: "Tivemos geada, excesso de chuva e granizo e isso dificultou nosso trabalho. Só com amor e dedicação que a gente continua na atividade".
A mesma opinião tem o presidente da Comissão da uva, Marino Slongo. Segundo ele as intempéries registradas estão fazendo com que este seja o pior ano para o produtor de uva. "Este é o ano que Erechim tem menos uva para oferecer no período de 20 anos. Ainda assim vamos conseguir colher o melhor cacho de uva e oferecer uma grande festa para comunidade". Slongo destacou a beleza do desfile realizado no último domingo, dia 11, e a importância dos organizadores, como de Charles e da Margarete Oldoni. Também citou a necessidade de se buscar tecnologia, e disse que este ano um técnico foi contratado para fazer um trabalho junto aos agricultores para melhorar a produção da uva.
A importância da Festa
Em nome dos grupos italianos, Charles Oldoni convidou os presentes para participarem da Festa Di Bacco que inicia sua comercialização neste sábado no Seminário Nossa Senhora de Fátima, a partir das 14 horas com abertura oficial marcada para às 17h30min. Lá as pessoas verão espetáculos, cultura, música e gastronomia. Walmor Gasperin, da Emater, observou que a Festa é uma vitrina dos imigrantes italianos, da riqueza das agroindústrias. Disse que os produtores de uva são guerreiros e que se não tiverem paixão pela atividade não conseguem dar sequência a ela.
Ari Pertussati, do Sutraf-AU, falou que a festa vem demostrar toda a magia e a importância que tem a etnia italiana, os imigrantes e o que está em torno do vinho e em cima da mesa na nossa região. "Para o Sutraf e a Fetraf era um sonho construir a festa e fazer da produção da uva um momento de divulgação e onde a população possa entender o quanto é necessário este cultivo na região. Entendo que produzir alimentos hoje no nosso país e no mundo é uma tarefa para quem tem vocação, determinação e coragem. As adversidades climáticas mostram o quanto é dificil produzir. Na metade do ano passado tivemos a crise mundial dos alimentos com previsões de que nos iriam faltar. Viemos lutando muito nos últimos anos para construir politicas públicas para garantir renda para o agricultor familiar. Para tanto é dever do Estado, na esfera Municipal, Federal e Estadual garantir dinheiro, subsídio, assistência técnica, pesquisa e acompanhamento para quem produz, pois se o agricultor depender da renda do que produz para conseguir esse auxílio, não há possibilidade".
O secretário de Cultural Esporte e Turismo, Edgar Paulo Marmentini saudou as mulheres que tem papel importante na qualidade da produção da agroindústria familiar, e salientou o papel da sua secretaria na Festa da Uva de Erechim. "A Cultura resgata a história dos imigrantes e o Turismo, os passeios realizados pelo interior do município". O presidente do Legislativo, Cezar Caldart pediu para os promotores do evento incluir a Câmara Municipal de Vereadores em todos os eventos da Festa Di Bacco, fixando seu apoio a ela.
O futuro secretário municipal de Agricultura, Eloir Griseli, mencionou a necessidade de dar condições para os jovens permanecerem no meio rural. "Joel Dariva é um exemplo disso. Ele poderia estar na cidade ganhando cerca de R$ 500,00, mas mora na propriedade, tem renda maior que esta e ainda qualidade de vida. Dificuldade se encontra em todos os lugares. Mas a roça é um bom lugar para se viver sim". Ele encerrou os pronunciamentos lançando um desafio. "Temos que ter capacidade e sabedoria para ter unidade de ação e de organização, em especial dos agricultores, e junto com o poder público projetar a região para outros Estados. Temos o desafio de transformar o Alto Uruguai num pólo de agroindústrias familiares e de turismo rural. Existe condições para isso, para um desenvolvimetno sustentável com mais qualidade de vida. E o poder público tem que investir nesta questão".

