https://www.pmerechim.rs.gov.br//noticia/3294/os-desafios-e-conquistas-da-mulher-nos-dias-de-hoje
26/11/2009
Os desafios e conquistas da mulher nos dias de hoje
Os desafios e conquistas da mulher nos dias de hoje
A Campanha 16 dias de ativismo pelo fim da violncia contra a mulher est sendo realizado em Erechim pela primeira vez com atividades organizadas pela Coordenadoria da Mulher, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Delegacia Especializada para Mulher e com apoio de diversas entidades. Realizada anualmente desde 1991, em aproximadamente 130 pases tem a finalidade de combater essa forma de violncia e fortalecer a auto-estima das mulheres vitimadas. Busca ainda, estabelecer um elo simblico entre violncia contra mulheres e direitos humanos.
Os movimentos feministas e de mulheres escolheram como foco de ao da Campanha o perodo compreendido entre os dias 25 de novembro e 10 de dezembro, para lembrar de 5 datas importantes para as mulheres: 20 de novembro Dia Nacional da Conscincia Negra no Brasil; 25 de novembro Dia Internacional da No-Violncia Contra as Mulheres; 1 de dezembro Dia Mundial da Luta Contra a AIDS; 6 de dezembro Massacre de Mulheres de Montreal Canad; 10 de dezembro Dia Internacional dos Direitos Humanos.
A Coordenadoria da Mulher props um desafio para 16 mulheres com representatividade na sociedade erechinense. Relatar "os desafios e conquistas da mulher nos dias de hoje", Confira abaixo o que elas disseram:
Ana Lucia de Oliveira
Vice-prefeita de Erechim
A Administrao Municipal, atravs do Gabinete da Vice-Prefeita e da Coordenadoria Municipal de Polticas Pblicas para Mulheres Coordenadoria da Mulher, aderiu Campanha 16 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violncia Contra a Mulher, por considerar urgente e necessria uma mobilizao de toda sociedade erechinense para a busca de solues voltadas eliminao de todas as formas de violncia contra as mulheres, bem como, o fortalecimento da auto-estima da mulher e o seu empoderamento como condies para superar situaes de violncia, muito presentes em nosso dia-a-dia, principalmente nas relaes de gnero.
Esta Campanha realizada em mais de 150 pases desde 1991, estando em sua 19 edio em nvel mundial, 7 edio em mbito nacional e felizmente em Erechim acontece de 20 de novembro a 10 de dezembro de 2009, a 1 edio, com vrias aes para que os atos de violncia, sejam quais forem possam ser prevenidos em nossa sociedade sensibilizando e conscientizando a populao de que somos responsveis para que uma vida sem violncia seja um direito de todos ns: homens e mulheres.
Ns mulheres precisamos nos fortalecer, nos comprometer e mais do que isso, unidas, assumirmos o desafio de colocar em prtica um direito j existente, que o direito a uma vida sem violncia.
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Cristiane Zamboni Polis
Primeira Dama de Erechim
Embora muito ainda precise ser conquistado, a realidade do cotidiano da mulher uma vitria. Os desafios ainda so inmeros e h um longo caminho a percorrer. A igualdade entre gneros uma batalha que vem sendo travada ao longo dos tempos em defesa do reconhecimento dos direitos femininos. E para que esses direitos continuem sendo conquistados faz-se necessrio que a mulher coloque-se no papel de sujeito desse processo, a fim de que realmente possa contribuir uma sociedade mais justa e igualitria.
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Carlinda Poletto Farina
Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher
Aes e atitudes que podem fazer a diferena para o fim da violncia contra as mulheres, so as lutas e conquistas das mulheres de Erechim, que conseguiram a Delegacia de Polcia para a Mulher, a criao do Conselho Municipal dos Direitos da Mullher, o Planejamento Familiar nos Direitos Reprodutivos, a Criao da Coordenadoria Municipal da Mulher, amparadas na implementao de Polticas, medidas, aes com a Lei Maria da Penha, resgatam a dignidade da mulher. Uma vida sem violncia um direito das mulheres. Participemos dos 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violncia contra a Mulher.
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Daniela Viero
Agente de Trnsito
A violncia um termo de mltiplos significados, e vem sendo utilizado para nomear desde as formas mais cruis at as formas mais sutis da violncia que tm lugar no cotidiano da vida social, na famlia, nas empresas ou em instituies pblicas, entre outras.
A maioria das mulheres tem medo de denunciar o agressor por medo da prxima agresso ser pior que a anterior e infelizmente assim. Outro item que no posso deixar de citar o preconceito que se tem em relao ha mulheres em algumas profisses como por exemplo a minha de agente de trnsito. Nos olham diferentes, soltam piadas e quando acontece alguma coisa no trnsito quando a mulher est conduzindo um veculo falam tinha que ser mulher alm de ser preconceito isso uma agresso verbal que tambem no deixa de ser uma violncia contra a mulher. Pois essas piadinhas nos fere por dentro e nos sentimos humilhadas.
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Diana Casarin Zanatta
Delegada da Mulher
Aps sculos de luta por igualdade e justia, as mulheres comearam a deixar de lado a posio de coadjuvantes, para assumir o papel de protagonistas de sua prpria histria. Aquela mulher submissa, tratada como objeto, est cedendo o lugar para uma mulher batalhadora, independente e ciente de seus direitos. Hoje, cada vez mais, a mulher pode escolher se quer ser apenas me, dona de casa, apenas profissional ou, se quer exercer todos os papis, conjuntamente. Todavia, se por um lado, as mulheres tm conquistado diariamente a liberdade de fazer suas prprias escolhas, por outro, e contraditoriamente, essas mesmas mulheres, ainda so fortemente atingidas pela questo da violncia de gnero, que apresenta nmeros cada vez mais expressivos e desconcertantes.
Vale lembrar que tal violncia pode ocorrer com qualquer mulher, independentemente de classe social, idade, raa ou etnia e que ela assume diversas formas, que no se limitam a agresses fsicas, pelo contrrio, h a violncia psicolgica que, embora no visvel, deixa marcas profundas em suas vtimas. Diante desse quadro, entendo como maior desafio e responsabilidade, no apenas dos atores sociais envolvidos com a questo, mas de toda a sociedade, fazer valer s mulheres, os instrumentos que elas efetivamente tm disposio, tais como, a Lei Maria da Penha e, sobretudo, a Constituio do nosso Pas, fazendo com que homens e mulheres efetivamente sejam iguais, em direitos e obrigaes.
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Edir Bisognin Goelzer
Professora e presidente do Lar da Criana
Cabe-nos, notadamente nos tempos hodiernos, com a sensibilidade prpria, enfrentar o grande desafio de combater a violncia das violncias, qud atende pelo nome de corrupo, venha de onde vier, consagrando a dignidade e o avano social. Na escada da vida, os espaos ho de abrir-se, cada vez mais, s mulheres conscientes de que Fazer o Bem Faz Bem.
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Elisabete Mazurkevicz
Pedagoga e presidente do Conselho Tutelar
Um grande desafio para a mulher de hoje o de educar seus filhos na modernidade, preservar os valores fundamentais; ensina-los a fazer boas e sbias escolhas, a ter discernimento entre o bem e o mal, neste mundo onde a maldade e a desonestidade so consideradas normais. ter fora suficiente para si e para os outros que precisam e dependem dela. Uma conquista ver seus filhos crescerem, seu trabalho dar frutos e a vida acontecer com intensidade, sem jamais esquecer das lutas travadas pelas que vieram antes delas, lutas que deixaram marcas profundas, mas que abriram caminhos para infinitas possibilidades.
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Iolanda Regina Lorenci Kafer
Empresria
A mulher vitimizada pela violncia muitas vezes se cala por estar inserida num meio social que a prejudica de pensar sua independncia econmica e emocional. Estas situaes geralmente esto intrincadas com questes familiares, na qual muitas vezes o ambiente em que vive violento. Portanto, necessrio que a comunidade continue com este tipo de campanha conscientizadora que objetive o movimento a reflexo e a ao da denuncia para que a repetio da violncia no perpetue em nossa sociedade e se crie a longo prazo uma cultura de no aceitao de aes contra a auto-estima destas pessoas.
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Jaqueline Johann
Advogada
Da infncia, as palavras marcantes de minha Me, uma dona de casa que nunca conseguiu realizar o sonho que tinha de trabalhar fora (sonhava em ser enfermeira), sempre me acompanharam: Filha, seja algum independente e forte, com uma profisso. Com a lio materna trazida, sempre atuei, desde o incio de minha carreira na advocacia pblica, nas duras lutas pela democratizao deste Pas, sem qualquer sentimento de distino.
Indubitvel que somos hoje uma fora que no compete ou disputa com os homens, antes agregamos conhecimento, experincia e sensibilidade nas mais diversas reas de atuao profissional. Provamos (na mais elstica interpretao da palavra) a capacidade de sermos sujeitos ativos da transformao da sociedade moderna, aptas construirmos o melhor futuro que pudermos planejar.
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Ktia Filgueras
Mdica de Famlia e Comunidade
Conquistamos o direito ao voto; o direito a voz; o mercado de trabalho. Somos hoje, garis, pedreiras, jornalistas, frentistas, arquitetas, professoras, engenheiras, donas de casa, metalrgicas, juizas... Somos mes. No precisamos - nem queremos - nos igualar aos homens. No somos melhores ou piores. Somos simplesmente mulheres. Temos temores, virtudes, fragilidades e defeitos. Temos opinio e conquistamos o direito de express-las. Temos capacidades e conquistamos o direito de demonstr-las. Somos donas de nossos corpos, de nosso dinheiro, de nossas idias e nossos ideais. Somos emotivas e passionais.
Conquistamos muito. Perdemos um tanto. E por sermos mulheres, sofremos. Sofremos por cada minuto que no pudemos vivenciar na vida de nossos filhos e netos. Sofremos pelos filhos que no tivemos ou no teremos. Nos cobramos a cada dia, por tudo o que talvez tenhamos deixado pelo caminho, enquanto nos esforvamos tanto em conquistar. Nos alegramos por termos crescido tanto. Choramos por ter ainda tanto a ser conquistado. Somos tantas vezes incompreendidas e incompreensveis. E, apesar de tudo, seguimos em frente e continuamos a ganhar e perder, com os olhos no futuro e o corao no presente. Nossa nica certeza que por mais que mudemos, jamais deixaremos de ser mulher.
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Lindanir Canelo
Empresria
Depois de sculos lutando por igualdade, parece que finalmente a mulher est encontrando cada vez mais seu lugar no mundo. De coadjuvantes estamos ganhando cada vez mais o papel de protagonistas sem ter que deixar a feminilidade de lado. Mais do que poder ser tudo, hoje, a mulher pode escolher se quer ser apenas me, apenas profissional ou simplesmente mulher.
fato que conciliar todos os papis conquistados ainda motivo de presso, mas cada vez mais a mulher tem conseguido encontrar um equilbrio. E justamente esse equilbrio e a liberdade de fazer escolhas que proporcionam mulher o sucesso em qualquer rea que ela escolha atuar.
Economicamente garantida, a mulher pode se sentir vontade para ousar atitudes consideradas socialmente reprovveis: viajar sozinha, ter um emprego que a realize profissionalmente ou mesmo levar uma vida sexual independente. Temos muito ainda pela frente, mas como somos fortes e batalhadoras, certamente venceremos todos os desafios.
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Lcia Balvedi Pagliosa
Professora e Assessora de Comunicao da URI-Campus de Erechim
A mulher, legalmente, j pode escrever sua histria, construir sua vida, concretizar seus sonhos...No entanto, as limitaes impostas pelo prprio meio ainda so muito fortes, gerando complicadores de ordem fsica, moral e intelectual.
Mesmo assim, a mulher no pode se deixar fragilizar, entender-se e deixar que os outros a entendam como coitadinha. No! Ela a fortaleza e a emoo somadas. Por isso, a mulher tem o direito e o dever de fazer uma opo - a sua felicidade.
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Nadia Farina Fiabane da Rosa
Extensionista da Emater/RS - Ascar
Nadia Farina Fiabane da Rosa, nascida em Erechim, atua a 19 anos com extensionista na rea de Bem Estar Social junto a EMATER/RS ASCAR. Entre os programas que mais se identifica na atividade de Extenso Rural so a Organizao e a Valorizao da Mulher Rural. A identidade com essa atividade vem da percepo de que o maior desafio a busca da Valorizao da Mulher Rural no contexto familiar e social; rompendo barreiras, falando de igual para igual e oportunizando refletir sobre a condio de agricultora.
Hoje somos mulheres mais atuantes, buscando novas oportunidades de trabalho e renda, atravs da capacitao e insero social, atuando como gestoras do prprio desenvolvimento em consonncia com as Frentes Programticas estabelecidas no Programa Rio Grande Mulher, evidenciando que, quanto mais fortalecidas e confiantes estivermos, nos tornamos menos vulnerveis qualquer forma de violncia, seja no campo ou na cidade.
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Nely Zaffari
Professora universitria
Mulher v a frente no temas os novos desafios, pois somos vencedoras. Somos o smbolo da ternura e ao mesmo tempo da coragem porque os desafios no nos amedrontam. O espao conquistado na sociedade foi graas a nossa audcia, coragem e organizao. Mulher, me, esposa, companheira, guerreira no pare, pois temos muito ainda a conquistar!
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Neusa Cidade Garcez
Professor de Histria e Patrona da Feira do Livro 2009
A histria das mulheres caminha e se amplia pari passu com a humanidade. O desenrolar desse percurso mostra o rudo dos coraes e mentes das mulheres atravs dos milnios, na busca de um lugar iluminado em suas respectivas sociedades.
A histria prdiga em narrativas de atitudes audazes, pioneiras de mulheres druidas, etruscas, galesas, eslavas, gregas, romanas, mouriscas, maias, incas, tlacaxtecas, erechinenses, gauchas, etc.
A mulher nunca esteve totalmente muda ou alienada. uma errnea iluso pensar que era ou sem voz. Colocada numa escurido histrica, principalmente aps Aristteles, sempre aspirou luz, sempre buscou participar e se fazer ouvir e, se fez.
As conquistas, dessas famintas por igualdade, foram tantas, que muitas ficaram ofuscadas na luminosidade consagradora de seus avanos e perderam o rumo e o limite.
Com isso os horizontes familiares ficaram nebulosos; o antes, meigo modo de ser de algumas, passou para o atrevimento descabido. Passaram a ser audaciosas caadoras do pretendido e do alheio.
Agora senhoras de seus corpos, os descuidam como se nele no habitasse uma centelha divina.
O grande desafio seguir batalhando por igualdade, superando diferenas, amando-se e derramando-se em amor; tratando com afeto e respeito natureza e o prximo. Colaborando para suavizar a agressividade e violncia que envolve a grande maioria dos seres humanos. E engajando-se em batalhas continuas e sem trguas, pela preservao e valorizao do bom carter, da tica, da vida e da paz.
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Marins Bortolini
Taxista
Comecei a ser taxista substituindo um funcionrio do meu amigo. Vi que poderia dar certo, j que tinha sido bem aceita. Ento comecei a fazer novos fregueses e novas amizades. Por mais que a mulher seja discriminada, todas elas so capazes de trabalhar em qualquer profisso exercida por homens, no precisando ser humilhada por eles para se sustentar. Existe na cidade algumas mulheres que esto fazendo a diferena. Gosto muito do que fao, me surpreendi pela preferncia dos fregueses e pelo carinho e ateno recebida deles.