Você está em: Home / Notícias / Erechim 104 anos de história em cinco topônimos

NOTICIAS

A+ A- texto
normal

GERAL
30 de Abril de 2022

Erechim 104 anos de história em cinco topônimos

Artigo: Henrique A. Trizoto

Coordenador do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font

Doutorando em História / UPF

 

De acordo com o Dicionário Houaiss (2009) topônimo é “nome geográfico próprio de região cidade, vila, povoação, lugar, rio, logradouro público, etc.; origem de um nome geográfico”. A partir dessa noção, este artigo versará sobre os cinco topônimos que já designaram a cidade de Erechim: Paiol Grande, Boa Vista, Boa Vista do Erechim, José Bonifácio e o nome atual da cidade Erechim e apresentará considerações sobre cada período a que os topônimos se referem.

 

A partir de 1908, a Colônia Erechim começa a tomar forma sob a batuta de Carlos Torres Gonçalves. Com uma proposta moderna, a Colônia fora projetada para abrigar migrantes das Colônias Velhas do Rio Grande do Sul (São Leopoldo, Caxias do Sul, Guaporé), e imigrantes vindos da Europa (italianos, poloneses, alemães, judeus, espanhóis, austríacos, franceses, russos, ucranianos, portugueses holandeses, lituanos, tchecos, suecos e etc.) que ocupariam as consideradas terras devolutas. Era a solução perfeita para o governo: limitar o avanço dos posseiros, equacionar as fronteiras, e transformar as terras devolutas em pequenas propriedades produtivas. Entre os anos de 1908 e 1918 vemos esse fluxo (i)migratório se acentuar e as relações entre colonos e os indígenas (nativos), afrodescendentes e caboclos (ex-cativos ou fugidos da Revolução Federalista – 1983/1895) que já ocupavam fragmentos do território se acirrar.

 

Em 30 de abril de 1918, Paiol Grande (denominação oriunda, de acordo com Illa Font -1981-, de um Paiol de madeira a pique que se destacava no horizonte) de então distrito de Passo Fundo, se torna o município de Boa Vista por meio do Decreto nº 2342 sancionado pelo presidente do Estado do Rio Grande do Sul Antônio Augusto Borges de Medeiros.

 

Boa Vista era considerado um município em franco crescimento. Ernesto Pellanda (1925) aponta que em seus primeiros anos pós-emancipação era tido como um modelo de ocupação da terra e de crescimento urbano e produtivo; chegando ao montante de aproximadamente 38 mil habitantes, sendo esses cerca de 5.500 nos povoados e na sede do município e o restante ocupando a área rural. No período, as casas comerciais começam a ganhar força, principalmente aquelas que vendiam os materiais para suprir as necessidades dos colonos: sal, querosene, louças, fósforos, ferramentas, tecidos e demais elementos que ficavam estocados em grandes balcões e prateleiras. Podemos pontuar ainda que estes locais se tornavam pontos de sociabilidade pois acabavam aproximando comerciantes e colonos, que muitas vezes possuíam costumes em comum, o mesmo idioma e a saudade da terra natal.

 

Entre 1922 e 1938 Boa Vista passou a ser Boa Vista do Erechim, em um dos períodos mais complexos da história do Estado e por consequência da cidade. Em 1923 o município foi palco de duas das batalhas mais sangrentas da Revolução de 1923 (Desvio Giaretta e no Combate em Quatro Irmãos), pela Revolução de 1930, pelos grandes incêndios na Avenida Maurício Cardoso em 09/11/31, 24/06/1932 e 03/03/1933. Também foi um período de acentuado desenvolvimento econômico e modernização da paisagem urbana com as construções em Art Déco e Art Nouveau.

 

Boa Vista do Erechim passou a chamar-se José Bonifácio entre os anos de 1938 e 1944 como forma de homenagear Torres Gonçalves, o idealizador da Colônia Erechim. O período é pautado por embates velados entre maçonaria e igreja católica, explicação menos usual, mas mais plausível. É interessante salientar que a Estação Ferroviária no período manteve o nome de Estação Boa Vista do Erechim.

 

Em virtude de ser um momento complexo em cenário global (Segunda Guerra Mundial – 1939/1945) – temos o crescimento do abrasileiramento dos nomes de clubes étnicos e a busca pela forja de uma identidade nacional. Neste período, o Município chegou a marca de 108.400 habitantes, dos quais menos de 8.000 mil moravam na área urbana. O montante populacional mais expressivo encontrava-se nos distritos de Gaurama (Barro), Marcelino Ramos, Paulo Bento, Áurea (Princesa Isabel), Aratiba (Rio Novo), Quatro Irmãos, Barão de Cotegipe, Três Arroios, Campinas do Sul, São Valentim, Viadutos, Severiano de Almeida (Nova Itália) e Carlos Gomes.

 

Em 1944, José Bonifácio volta ser designada pelo nome inicial da Colônia: Erechim. Desde então, a cidade se consolidou como polo Econômico, Industrial, Educacional e Cultural no Norte do Rio Grande do Sul. Foi a Capital Nacional do Trigo em 1953, teve as primeiras indústrias do ramo metalmecânico, fomentou o cooperativismo, teve a primeira extensão universitária da região (CESE em 1968), a construção da BR 153, equipes esportivas fortes que levaram e levam o nome da cidade aos quatro cantos do país, distritos industriais, comércio e prestadoras de serviços, um sistema de saúde referência e um polo universitário. Atualmente a cidade ainda vem recebendo contingentes de imigrantes de diversos países da África, América do Sul e Central, cujo propósito é o mesmo dos nossos antepassados: segurança e prosperidade.

 

Nestes 104 anos, Paiol Grande, Boa Vista, Boa Vista do Erechim, José Bonifácio e Erechim foram os topônimos adotados para designar a maior cidade do Alto Uruguai. Escrever sobre uma cidade multifacetada, miscigenada é um desafio. Por isso, nesta breve retomada histórica, buscamos apresentar aos leitores, elementos que contribuíram para que a cidade chegasse na posição atual.

 

Em tempo, parabéns Erechim pelos seus 104 anos de Emancipação política e administrativa!